A urna eletrônica é segura contra o que?

Lendo o site do meu amigo Pedro Rezende, deparei-me com a transcrição de uma entrevista que ele deu sobre um relatório que ele e outros autores prepararam sobre a segurança das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro. Leiam na entrevista qual foi a primeiríssima pergunta que a jornalista fez e vejam a hábil resposta do Pedro, que começou dizendo que a pergunta pode ter vários significados. Comparem com o que eu comentei neste post, em forma de anedota.

Os jornalistas insistem em fazer essa pergunta mal qualificada: "Tal coisa é segura?". Eu até entendo a razão: jornalistas querem respostas curtas e fáceis. Infelizmente, segurança não é uma área que se preste muito bem a generalizações e avaliações rasteiras. Como eu e o Pedro já conversamos diversas vezes, essa pergunta é extremamente capciosa porque diferentes pessoas têm diferentes expectativas sobre o que significa, exatamente, "tal coisa ser segura". Para a conversa ter algum sentido, precisamos começar alinhando essas expectativas.

Parabenizo meu amigo Pedro pela hábil resposta e pelo lúcido relatório – aliás, eu li o texto e vou comentar sobre ele em breve.

Comentários
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Marco Carnut | 2010-09-14 08:08:07 | permalink | topo

Geraldo,

Você tem toda a razão, é a mais pura verdade – diretores e CEOs realmente costumam fazem exatamente essa mesma pergunta, com exatamente a mesma ingenuidade e expectativa irreal de uma resposta curtinha e simples.

Por isso que tenho achado especialmente importante discutir essas questões meio "filosóficas" aqui no Blog. Pra mim, elas são, na realidade, bem pragmáticas: primeiro, nós temos de desfazer a confusão sobre os múltiplos significados de "segurança" nas nossas próprias cabeças, e em seguida usar esse "framework conceitual" para desatar os nós na cabeça dos diretores, CEOs e jornalistas. Que os CEOs sejam surpreendentemente ingênuos e confusos sobre segurança, mesmo na posição de poder em que se encontram, é lamentável, mas vagamente tolerável – não é realmente a praia deles. Mas que nós, que trabalhamos com isso, também o sejamos, é a verdadeira tragédia. Aposto que você já viu CSOs e diretores de TI tão ou mais confusos do que os jornalistas, CEOs e diretores dos que estamos falando.

A única coisa que não sei se concordo com você é que "reporter não é nada". Já os vi colocarem instituições e até países no caminho certo, mas também os vi criar confusões que levaram décadas para serem desatadas. Pra mim, eles são uma força poderosa quando querem, ao qual precisamos estar muito atentos.

-K.

Geraldo Fonseca | 2010-09-13 17:29:47 | permalink | topo

Reporter não é nada. Diretores e CEOs fazem exatamente a mesma pergunta. Jogo de cintura é qualificação indispensável para qualquer CSO...