Palestra sobre NoSQL

Achei que, na tentativa de falar sobre muita coisa, o palestrante acabou não falando direito sobre quase nada. Achei que ele começou até bem, deixando claro que o objetivo do "movimento" NoSQL não é "derrubar" os SGBDs baseados em SQL, e sim tratar melhor algumas situações que os estes últimos não tratam tão bem ou eficientemente.

Também achei que ele fez bem em deixar claro que esses novos "bancos de dados" foram propositalmente projetados para otimizar outros aspectos que não as propriedadas ACID clássicas (Atomicidade, Consistência, Isolamento e Durabilidade); antes, eles procuram oferecer diferentes meio-termos entre consistência, bem como possibilidades de maior controle fino da latência, às vezes em detrimento das demais propriedades.

O autor citou o MongoDB (queridinho da equipe de desenvolvimento da Tempest), o CouchDB, o Cassandra, entre outros. Também citou o Memcached, que pode soar meio estanho, porque não creio que o Memcached se encaixe bem "conceitualmente" nesse meio, pois é um cache distribuído em memória e não um "banco de dados"; mas, creio que entendi o motivo – muitas soluções do mundo real combinam esses BDs com o Memcached para minimizar a latência de consultas frequentes. Por isso, eu concordo que foi, sim, uma boa idéia mencioná-lo.

O autor também corretamente mencionou a tendência que vários desses DBs seguem de usar JSON como linguagem de descrição de dados e JavaScript como linguagem de automação.

Os exemplos, porém, foram decepcionantes – foram os exemplos básicos dos how-tos, nada que "excitante" que evidenciasse o real poder desses bancos de dados. Assim, acho que o autor perdeu a oportunidade de criar novos adeptos; por exemplo, um DBA SQL hardcore teria bocejado de tédio com os exemplos.

Claro, eu sei que fazer um exemplo convincente de algo que os DBs NoSQL conseguem fazer mais eficientemente que os DBs SQL requer montar um tremendo laboratório, com massas de dados grandes e aglomerados (clusters) de computadores, com uma tremenda instrumentação para gerar benchmarks convincentes – sem dúvida, uma trabalheira danada, dá pra afundar facilmente uns bons duzentos homens-hora só pra preparar uma demonstração dessas. Por isso, consigo entender perfeitamente por que o palestrante não o fez, talvez ele simplesmente não tivesse tido tempo de preparar.

Mas se eu fosse dar uma palestra dessas, eu jamais entraria em palco sem ter um exemplo desses preparado e muito bem ensaiado. Talvez eu não "convencesse" o DBA SQL hardcore, mas, no mínimo, eu o deixaria suficientemente curioso para vencer sua resistência natural e fazê-lo crer que talvez ele precisasse rever seus conceitos. Também daria uma visão mais pragmática da questão "quando usar SQL e quando usar NoSQL", item importante para os novatos.

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