DEFCON 20: "Money counterfeiting"

Nessa palestra da DEFCON 20, o apresentador discorreu sobre a pesquisa que fez quanto à viabilidade da falsificação das notas de dólares americanos. Pode ter sido uma palestra básica, mas gostei por ter sido objetiva, direta ao ponto e informativa, sem rodeios nem "viagens na maionese" que se vê em muitas palestras aqui.

O palestrante deu uma visão geral dos recursos básicos de anti-falsificação de segurança básicos das notas de dólares americanos – o papel especial (que vem de um único fornecedor que mantém a receita guardada a sete chaves), a marca d'água, a fita de segurança em posições diferentes pra cada nota e que brilha com cores diferentes quando sob luz ultravioleta, a microimpressão, a técnica de impressão em alta pressão que dá à tinta aquela sensação tátil de "alto relevo", a tinta especial que muda de cor dependendo do ângulo que é vista, etc – a maioria delas discutida no próprio site da Casa da Moeda americana, apropriadamente chamado de moneyfactory.gov.

Para cada característica, o palestrante apresentou uma estimativa da complexidade e custo para reproduzir, mostrando que muitas delas são imitáveis a ponto de enganar um leigo, mas reproduzi-las exatamente a ponto de enganarem peritos ou mesmo usuários mais bem informados parece inviável para operações de pequena escala.

O palestrante citou alguns casos históricos de falsificadores que conseguiram passar vários milhões de dólares, mas foram pegos exatamente porque as imitações não eram tão boas assim. Lembrou ainda que tentativas de desestabilizar economias através da inundação de notas falsas é algo que já ocorreu historicamente – na II Guerra Mundial, por exemplo.

Também citou o intrigante caso das chamadas "super notas", que surpreendentemente reproduzem com sucesso (e até excedem em qualidade) praticamente todos os recursos das notas verdadeiras e que até hoje não se sabe exatamente de onde vêm; houve uma suspeita de ter sido a Coréia do Norte, pois os diplomatas desse país frequentmente têm sido pegos passando essas notas.

Também ofereceu uma bibliografia para os interessados e cumpriu os protocolos éticos ao relembrar que falsificação é um crime seríssimo – é um dos poucos crimes definidos diretamente na constituição americana e o Serviço Secreto americano foi fundado com a missão explícita de combater falsifição.

Outra informação interessante é que ele disse que uma das grandes prioridades do Serviço Secreto no combate à falsificação é o falsificador amador, pois ele tem mais chance de virar profissional no futuro e é mais fácil combater grandes centralizados do que pequenos distribuídos. Assim, é crucial combater o mal pela raiz.

O que eu nunca entendi é por que as notas já não tem um código de barra, QR code, ou algo que o valha, assinado digitalmente. Em conjunto com os recursos já existentes, elevaria a complexidade da falsificação para muito além do que é viável mesmo para operações em grande escala. E, mais importante, tornaria a verificação de autenticidade muitíssimo mais fácil de automatizar – poderíamos ter maquininhas portáteis que seriam capaz de testar a autenticidade das notas, e as contadoras automáticas usadas nos bancos poderiam facilmente identificar uma única notas falsa dentro de maços ou "cintados", como chamam os bancários (as contadoras hoje existentes são facilmente enganadas até por falsificações relativamente rasteiras).

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