Tempest e a Casa Rex encaram de Londres o mercado global

O negócio da Tempest, afinal, é ajudar organizações que dependem de grandes redes informáticas para funcionar — como bancos, lojas virtuais e empresas de mídia — a se proteger de ataques de piratas e malfeitores digitais.

Um punhado de outras empresas representa um tipo particular de companhia brasileira que escolheu Londres para se internacionalizar: pequenas e ousadas, elas não esperaram ficar grandes no Brasil para se tornar multinacionais.

A gaúcha Pandorga, a mineira Toy Talks e a paulista Casa Rex — da qual falaremos mais à frente — têm ainda em comum o fato de se colocarem na encruzilhada entre o mundo digital e a economia criativa (aquela que abrange a mídia, a publicidade e as artes). Num mundo sem a internet seria difícil imaginar que poderiam existir ou funcionar — assim como a Tempest, que trabalha diretamente com Tecnologia da Informação.

Tanto os fundadores da Tempest — Cristiano Lincoln Matos, Evandro Hora e Marcos Carnut — quanto Alonso, seu braço londrino, são “crias” do meio ambiente tecnológico do Recife. Mais precisamente do Porto Digital, o núcleo de inovação e tecnologia formado em torno de professores e pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco e instalado no antigo bairro portuário da capital pernambucana.

A empresa chegou a Londres em 2012, seguindo o mapa de um projeto de internacionalização “vendido” por Alonso para os três fundadores. No Brasil, a Tempest tinha se tornado uma referência em segurança de informações digitais.

A partir de sua base recifense — onde mantém uma equipe de 120 funcionários, a maior parte engenheiros e programadores — instalou um escritório em São Paulo para fincar pé no mercado do Sudeste brasileiro e conquistar clientes pesos pesados, como os bancos Itaú e Santander, a Bovespa, a fabricante de cosméticos Natura e a loja de varejo C&A.

No Reino Unido, entretanto, era mais uma startup desconhecida batalhando com a cara e a coragem por seu primeiro cliente. Hoje, a Tempest aloja sua equipe londrina (cinco pessoas, incluindo Alonso e Berta) num escritório em Canary Wharf, um distrito moderno de negócios e finanças instalado numa zona portuária desativada às margens do Rio Tâmisa — mais uma coincidência para uma empresa nascida no porto antigo do Recife.

A virada começou quando Alonso conseguiu um primeiro cliente no fim de 2012. Não era qualquer cliente: tratava-se da revista de economia e política The Economist, uma das mais conceituadas do mundo. The Economist estava às voltas com ameaças de ciberpirataria e buscava uma consultoria que a ajudasse a prever e a prevenir ataques contra seus sistemas, mas só encontrava propostas inadequadas ou “horrivelmente caras” — nas palavras de Vicky Gavin, sua chefe de segurança da informação, ao site especializado www.computing.com.uk.

Como a brasileira desconhecida e um dos nomes mais estrelados da imprensa europeia vieram a se encontrar? “Fomos a um evento, a Vicky Gavin viu que nosso nome tinha intelligence e quis saber se tínhamos intelligence mesmo”, resume Alonso.

“No fim, ela decidiu que nós tínhamos e começamos a trabalhar com eles.” Para a executiva britânica foi um achado. “A Tempest tem sido fenomenal desde o primeiro dia”, ela afirmou ao www.computing. com.uk.

“O primeiro relatório que nos mandaram foi perfeito e valia tudo o que custou; ficamos impressionados em ver como tinham entendido bem o que buscávamos e como conseguiam transformar isso em um produto.”

Para a Tempest, foi a chave para o mercado britânico (e além). O sucesso com o primeiro cliente levou outros grupos de mídia de primeiro plano, como a BBC — a emissora pública de rádio e TV britânica — e o jornal diário The Guardian a também procurar os serviços da empresa (a produtora norte-americana HBO também entrou para a carteira de clientes).

“Trabalhamos muito com essa questão de indicação; um cliente liga para outro, trocam figurinhas sobre quem presta que tipo de serviço, você vai construindo uma relação de confiança com o setor de uma forma geral.” Alguns preferem a discrição e não querem ser expostos — a Tempest diz apenas que tem um cliente no setor financeiro, um banco suíço, e outro que é uma grande rede varejista.

Agora, com as economias americana e europeia mostrando sinais de crescimento e reação à crise, é hora de colher os frutos. “Está todo mundo contratando, investindo em modernização; segurança, nos últimos anos, virou um tópico muito quente aqui na Inglaterra e na Europa”, ele avalia.

Nessa hora, diz, vale o diferencial de uma empresa brasileira capaz de vender em libras e entregar o custo em real. “Nós tivemos o privilégio de ter uma base muito boa de talentos no Brasil e usá-los para vender no mercado internacional.” O próximo passo é prospectar o mercado europeu.

Para ler a matéria completa: http://revistapib.com.br/noticias_visualizar.php?id=1116

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